Sunday, October 28, 2007


Solidão, qual Medusa reinventada, também tu paralisas, debilitas, destróis a natureza humana.
Estátuas de pedra encerradas em si mesmo, incapazes de mirar o seu reflexo.
(Art by Carlos Coelho; Masquerade)

Tuesday, October 23, 2007

Hoje?!!
Está decidido.
Faço "coelho" para o jantar com batatinha assada!!!

Ai, peúgas! Se te apanho novamente no roupeiro!

Monday, October 22, 2007

When I let go of what I am, I become what I might be.
by Lao Tsu
(Art by Pesare; Girl On The Moon)

Sunday, October 21, 2007

Bridge over troubled water by Paul Simon and Art Garfunkel

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

by Sophia de Mello Andresen
(Art from MFT)

Saturday, October 20, 2007

Sorrow

Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.'
...
And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
This it is, and nothing more,'
...
Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door -
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore -
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'
...
`Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!

The Raven, Edgar Allan Poe

Wednesday, October 17, 2007

Joe Lovano with the Saxophone Summit

Monday, October 15, 2007

"Through his insane insistence on seeing the world as a beautiful place, Patrick never really loses, even when he loses everything." by Neil Jordan, Breakfast on Pluto
Café da manhã em Plutão ou a apologia da inocência.
Um filme onde não há espaço para a indiferença.
Soberba interpretação de Kitten por Cillian Murphy.

Sunday, October 14, 2007


Achei extraordinário, mesmo...
Sim, sim, ...achei sim.
Morreu de cancro no fígado.
Morreu de síncope cardíaca.
Morreu por perda de massa encefálica.
Acho que finalmente deixámos de morrer por doença prolongada, de doença súbita ou por danos irreparáveis...
Extraordinário, mesmo.

Art from Annie Leibovitz, Susan Sontag

Friday, October 12, 2007


Em bruxas non credo, pero haberlas, haylas!

Wednesday, October 10, 2007

O Verão parece atear, um pouco por todo o lado, um fogo de corpos desnudados em queima no altar da própria estação.
Nada contra. Mas... nada a favor também.
Não padeço da graça, ...ou maldição, de Pigmaleão.
E a falta desse sentimento amoroso, libidinoso, sensual impede-me de suster a respiração perante tais assombros. Não os reconheço apenas. Creio.
Apesar de tudo, não passo incólume.
A Estética importuna-me e perturba-me.
Porque se exige menos de uma representação artística dos Jolie-Pitt, ou de produtos similares, que de outras abordagens da arte à vida?
Não aceito menos.
(Samuel Beckett by Henri Cartier-Bresson)

Tuesday, October 09, 2007

Dis, m'en veut surtout pas si ma chanson a un parfum de fin du monde.
Dis, on se reverra un café désert sans les cafés, les gares comment faire pour se retrouver demain
On s'endormira puisque tout sera le grand sommeil
Dis, T'en fait surtout pas si je vois déjà
Le premier oiseau d'un après guerre sur un fil de fer qui s'est barbelé au coeur des années
Now that I know your ins, that I guess my outs,
You're a part of me, couldn't do without you.
Dis, on se reverra un café désert sans les cafés les gares comment faire pour se retrouver demain.
Tu m'endormiras I may go to sleep
Je serai prêt Hey don't you worry now
Si je vois déjà le premier oiseau d'un après guerre
Soon there'll be a pair lequel restera m'en veux surtout pas...
(Un Parfum du Fin du Monde, musique de Michel Legrand et Francis Lai
Extrait du film de Claude Lelouch, Les uns et les autres)

Monday, October 08, 2007

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Mar by Sofia de Mello Breyner Andresen
(Art by Marcin Stawiarz)

Sunday, October 07, 2007

Por estes dias, adquiri um berbequim e uma panóplia de outras ferramentas.
Furar paredes, pendurar candeeiros, colocar espelhos e outras tarefas semelhantes não me estão propriamente na massa do sangue...
Mas a perspectiva de ver pó, detritos e ferramentas inertes por todo o lado, entre pegadas de gente e de bichos, superou quaisquer receios iniciais e... pronto!
Já está! Tudo direitinho, sem poeirada, sem confusão...
O mais divertido acabou por ser a reacção de algumas almas, disponíveis para me darem uma mãozinha...
"Ah! Mas usaste filtros de café no berbequim?! Para não fazer pó?! Dessa nunca me teria lembrado..."
"Nem um cano!? Nem um furo num único cano? Estou admirado..."
"Olha! O varão dos cortinados ficou direito!"
"Que martelo fenomenal! Muito melhor que o meu!"
"Ah! Pois, pois...Foi porque foste tu! Se fosse o meu marido terias sempre um prego com localizações alternativas para colocares o quadro..."
(Art from Alyssa Bascombe)

Saturday, October 06, 2007

Por estes dias de arrumos e desarrumos redescobri nas contra capas de alguns livros notas, pensamentos, apontamentos antigos...
"Talvez não saibas o que é a solidão: é a espera de quem não chega, é o desejo de duas pessoas que se ignoram, é um sim que se espera e que nunca se ouvirá."
Não me recordo do autor, não tomei nota dele, certamente...
Mas, recordo-me do sentimento...
Ainda bem que é já só uma recordação...
(Art from Nimrais)

Friday, October 05, 2007


Tears in Heaven by Eric Clapton

Thursday, October 04, 2007

Tenho este hábito de organizar os meus CDs por tonalidades musicais.
Mas, o azul só é azul no seu centro, e logo ali, na periferia, já é um pouco menos de azul e um pouco mais de lilás...
E, quando dou por isso, o inquestionável Chet degladia-se com a guitarra de Gilberto e com o violino de Kennedy.
Enfim!
E, no entanto,...alguns destes sons aquietam-se com dificuldade arrumadinhos e não consigo deixar de levá-los comigo para todo o lado.
Hoje, deixo o Chet em casa.
Comigo trago Stan Getz & (João & Astrud) Gilberto cantando Antonio Carlos Jobim.
Fabuloso.