September 24, 2006


Amanhecer

When night is almost done,
And sunrise grows so near
That we can touch the spaces,
It 's time to smooth the hair

And get the dimples ready,
And wonder we could care
For that old faded midnight
That frightened but an hour.

In Dawn, Emily Dickinson

Hoje, amanheci na areia molhada da praia entre os gritos das gaivotas e a espuma salgada do mar.
Ganhei este hábito de acordar assim cedo, ainda noite escura e ir sentar-me à beira mar.
Conheço um a um os pequenos barcos suavemente pousados nas águas e os vultos de pequenas lanternas que deslizam na fronteira entre a terra e o mar.
Desejam-me um bom dia e sorriem.
Conheço aqueles rostos tisnados pelo mar onde assomam olhos profundos como os abismos marinhos.
Têm tido dias difíceis.
Vocês não sabem e talvez nem sonhem mas o mar é um vício que se apossa de nós. Depois de se conhecer e amar o mar…a terra parece-nos uma prisão sem fim, um desencantamento eterno.
Prendem estas gentes à terra para que vivam e não percebem.
Não percebem que os destroem a cada onda que não sentem, a cada brisa que não os percorrem…

(Photograph by Luis Marden; Madagascar)

2 comments:

My Mind said...

Em terra ou no mar, o importante é estar-se aonde se deseja. É ter a liberdade de encantamentos intemporais.
Bravos os que cortam as amarras da vida e se soltam...
Só assim esta passagem valerá a pena.
Bom resto de fim de semana.

z. said...

Abençoadas as praias sem areias...