What's New
Clifford Brown
[http://www.youtube.com/watch?v=juuN7_rTBDo]
Não sou um bom garfo, na medida em que, o meu organismo prontamente se recusa a processar determinado tipo de alimentos. Resultado, talvez, de uma juventude inquieta e de uma idade adulta em que os meus espaços e tempos são, por demais, contaminados com urgências e importâncias profissionais de seriedade ambíguas. O facto é que independentemente das limitações que tolhem alguns dos meus movimentos, as conversas francas e fartas a uma mesa de refeições são, não só uma das mais belas memórias de um tempo ínfimo da minha meninice, como um prazer redescoberto, mas que exige de mim bem mais que simples habilidade. Substituir sabores, cores, aromas sem desvirtuar a arte de outros, mais do que um acto de criatividade duvidosa é uma tarefa espinhosa, por vezes, com resultados francamente inesperados...outras vezes, nem tanto!
A cada cordeiro de espuma branca, a linha de água recuou um pouco mais. A marcar essa fronteira invisível, entre a terra e o mar, despojos do oceano que coleccionei e depositei na toalha branca de algodão grosso. A outro ser caberia, depois, deleitar-se e espantar-se com os pequenos invólucros calcários rugosos e coloridos. Momentos do maravilhoso que acompanham todos os passos incertos da meninice cuidada, e que nos aquecem o coração, anos mais tarde, em dias de prolongada trovoada.
Chick Corea, Bob Berg, Eddie Gomez, Steve Gadd
Straight No Chaser
[http://www.youtube.com/watch?v=VjjkOQWJ2ug]

"Easy to Love"
Patricia Barber
[http://www.youtube.com/watch?v=41Of6sltTZY]
As caras fecham-se.
Nas paredes pequenos demónios vermelho-amarelados dançam a música que a brisa da noite lhes traz. As velas, assim acesas, emanam um cheiro forte que se propaga pela casa. Não gosto dessa escuridão absoluta que afasta do céu a lua e aproxima das nossas crias antigas criaturas das trevas, mas este cintilar evoca a memória da lua cheia em mar de vento norte e aquece-me o coração. Hoje não chove, no Zen passa When It Rains. Memórias de uma praia de ondas soltas e bravas onde as gotas empapam os incautos, em dias de tempestade, e alguns se arrastam quebrados na areia da praia. Sangue e sal que se misturam e não se reconhecem, sentidos que latejam e mil dores que nos atormentam. Na vida como no mar, deixei que as ondas me escolhessem, deixei-me embalar, esqueci-me de mim e embati na areia. Hoje, no mar, aguardo pelo tubo perfeito, aquele que me acompanhe apenas e me devolva depois incólume. Na vida não há tubos perfeitos, mas ali naquela praia aprendi uma lição maior. Que quem ama, exige.