February 24, 2009


Somewhere Over the Rainbow
Keith Jarrett



Exposta no Musée D'Orsay, L'Origine du Monde impressiona sobretudo pela sua despudorada franqueza. Não há lugar a subterfúgios, a representações estilizadas mas tão somente à crua nudez. Obra provocatória no seu tempo pela cisão que impunha face aos ensinamentos académicos e pela sua frontalidade numa sociedade em que estas qualidades estavam omissas, à Origem do Mundo talvez devessemos chamar a Origem do Medo.
Este fim de semana, agentes da autoridade procederam à retirada de alguns livros em cuja capa se exibia a obra de Courbet para, pouco depois, os devolveram porque, afinal, a pintura na capa era uma obra de arte.
E, se não fosse?
A lógica seria diferente?

P.S.- Amem o Louvre mas não deixem de visitar o Museu D'Orsay. É, a meu ver, um dos mais belos Museus do Mundo.

February 23, 2009



Speak Low
Phil Woods
[e Chris Neville no piano, Larry Gales no baixo e Sherman Ferguson na bateria]

Os dias correm rápidos como a água no leito de um rio sujeito a declives bruscos e imprecisos. Tudo nos aproxima para mais nos distanciar. Estamos tão somente à distância de um click, de um recall, de um send e, contudo, muito mais distantes agora do que num passado recente. Os estranhos cumprimentam-se calorosamente como se de antigos amigos se tratassem, não se dando o tempo de se conhecer e de criar esses elos de afectos que nos sustentam e fortalecem. "Os homens já não sabem cativar" replicava a raposa de Exupery. Receio bem que assim seja. Não existem livros de receitas fáceis com oradores de sorriso plástico na capa. Fazer amigos dá trabalho, leva tempo. Não é coisa barata e instantânea que se compre no supermercado.
Alguns de vós escrevem-me e para esses reservo parte do meu tempo. Opuseram-se à ditadura fast, não assumem, não pressupõem, caminham com cuidado porque de início tudo é frágil e as palavras encerram armadilhas. Outros, de entre vós, convidam à instantaneidade do momento e a esses receio desapontar. O diálogo fácil só nasce da banalidade ou da partilha e, o primeiro, rapidamente se esfuma na sua própria trivialidade. Deixemos pois os msn e os myspace para quando crescermos ambos um pouco mais. Sim?

February 22, 2009

Bernie's Tune
Gerry Mulligan
[e Don Trenner no piano, Peter Axelsson no baixo, Ronnie Gardiner na bateria]

As árvores despidas assombram os caminhos, na aurora do dia e no seu entardecer. Em breve, pequenos rebentos irão germinar e as folhas novas do ano despontar. Às primeiras horas da manhã está frio. A maré está baixa e no leito do rio, lodoso e putrefacto, pequenas aves procuram alimento. Retiro a bicicleta do carro e desdobro-a. Caminhos de pedra, terra e betão. Quando a brisa deixa de soprar e o sol já vai alto no céu é tempo de retornar. Os idosos que me acompanham nestas demandas matutinas estão também eles de partida. 

February 21, 2009

Chet Baker  & Paul Desmond
Autumn Leaves

Visto que não há regresso
E o tempo está de mau cariz,
Viremos o dia do avesso
Para ver como é, primeiro
by Alexandre O'Neill

February 09, 2009

Waltz For Debby
Chick Corea & Gary Burton


(Photos from Didier Vanderperre
http://www.pbase.com/didierv/newyork_2006)

And the winner is...

Best Contemporary Jazz Album
Randy In Brasil
Randy Brecker
[MAMA Records]

Best Jazz Vocal Album
Loverly
Cassandra Wilson
[Blue Note]

Best Jazz Instrumental Solo
Be-Bop
Terence Blanchard, soloist
Track from: Live At The 2007 Monterey Jazz Festival (Monterey Jazz Festival 50th Anniversary All-Stars)
[Monterey Jazz Festival Records]

Best Jazz Instrumental Album, Individual or Group
The New Crystal Silence
Chick Corea & Gary Burton
[Concord Records]

Best Large Jazz Ensemble Album
Monday Night Live At The Village Vanguard
The Vanguard Jazz Orchestra
[Planet Arts Recordings]

Best Latin Jazz Album
Song For Chico
Arturo O'Farrill & The Afro-Latin Jazz Orchestra
[Zoho]

February 04, 2009



As It Is
Pat Metheny

A minha dificuldade, em completar um puzzle, não tem exactamente a ver com a dificuldade da coisa, mas com a manifesta criatividade do meu quatro patas em esconder cuidadosamente algumas das peças!
Que arrelia!


February 02, 2009

Pharoah Sanders
Thembi

Barcelona é uma cidade de encantos, colorida, multifacetada, viva. Uma cidade que vibra e pulsa a cada passo e que nos embala os sentidos. Admirei a cidade, os seus artistas, as suas gentes, a sua comida, as suas flores...Mas, a imagem mais nítida e viva, que trouxe comigo, foi essa habilidade quase inata dos seus habitantes para negociar todo esse encanto entre suaves palavras e sorrisos abertos. Algo que a nós nos falta sobejamente. Temos em excesso essa irritante mania de achar que apenas a Judas cabe vender o Filho de Deus. Mas, o facto é que, quando o lucro fácil não é o único objectivo, a antiga arte de negociar tem a curiosa benesse de permitir um desenvolvimento sustentado de toda a cadeia produtiva, de todos os seus intervenientes e dos bens transaccionados. E, confesso que, estou por demais cansada de cruzar o meus país e ver parte da nossa história perder-se assim como poeira no tempo.