
Electrodomésticos
Tenho esta estranha relação com a minha viatura.
Vejo-a apenas como mais um destes peculiares aparelhómetros que populam o meu dia a dia para enorme desgosto de algumas ternas criaturas que partilham a minha vida.
Sempre que ironicamente lhes respondo que deixei o electrodoméstico na rua...são visíveis os espasmos musculares e a tentação para me deitarem as mãos ao pescoço.
Apesar de, curiosamente, ter o cuidado de assegurar que o electrodoméstico tenha o tempo esperado de vida e de monitorizar com alguma atenção todos aqueles níveis que salvaguardam a sua integridade ...
E...de uma forma geral, as pessoas até sobrevivem quando viajam comigo, tirando um ou outro caso particular que consideram que as minhas inquietações são pertinentes.
Também não tenho por hábito cumprimentar paredes, outras viaturas ou até um ou outro peãozito incauto que me apareçam pela frente.
Mas confesso que não percebo algumas destas estranhas paixões!
Não entendo que não possam sair com o objecto dos afectos porque chove...a rodos!
...E a família vai a pé e à chuva!
Não entendo que o cão possa ficar na rua mas a viatura...impensável!
Não entendo que os filhos não possam levar as Bratz mas os pais...sim!
Não entendo que não queiram fazer quilómetros porque desvalorizam o património!
Não entendo!
Garanto-vos que não entendo.
2 comments:
Oh! a especulação metafísica que os pobres desencadeiam na sua casta e peculiar forma de estar face ao património móvel, mas vulgarmente chamado de viatura automóvel. É por isso que a pertinencia da inquietção só se verifica em casos particulares, conhecedores profundos da essência subjacente à especulação.
Eu cá deixo sempre o meu esquentador na garagem....
Eu procuro estimar o meu carro, na medida do possível (se puder guardá-lo em garagem, guardo; prefiro pagar parque se a zona onde pretendo estacionar não é muito frequentada; etc.), mas jamais deixei de o usar por pensar primeiro nele do que em mim!
Quando penso nas pessoas que são como descreves no post, chego à conclusão de que essas pessoas não têm as coisas, são tidos por elas. E deixarmo-nos possuir por bens materiais é do mais lamentável que pode acontecer ao ser humano.
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