QuimeraAprendi a ler juntado as letras, uma a uma, e bebendo o som que produziam quando combinadas.
As placas de entrada e saída de localidades eram, naqueles dias de itinerância, a minha leitura preferida.
Na leitaria, ajeitava-me na cadeira de forma a espreitar os jornais, por ali jogados, e tentava perceber os garatujos a preto carregado que jaziam perdidos.
Ler foi talvez uma das maiores descobertas que fiz na vida.
Abarcar o significado das palavras continua a ser, para mim, um desafio intemporal e talvez uma demanda sem fim.
Entristece-me pois essa zanga do homem comum com a palavra escrita.
Ela compromete não só a sua liberdade, e a dos seus filhos, mas igualmente a de todos nós.
(Art from Cadrage; reading 6)
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