November 07, 2007

O senhor meu pai insistia dia após dia que o valor do dinheiro carecia de uma atenção própria.
Contrariava-o fortemente o gasto insensato da cria em letras e palavras e parágrafos, prosas e poesias...
Mas, assim era.
Não havia pirolitos, não havia gorilas, não havia cromos do Vickie e do Hogar...
Apenas os livros que as moedas do mês me permitiam adquirir.
Por entre essas idas e vindas, da minha loja dos doces, descobri um pequeno livrinho desbotado, adquirido por um preço simpático, de uma autora cuja obra desconhecia: Doris Lessing.
A vida pelos olhos de uma mulher. Bela escrita. Impressão duradoura.
Eu, que se os livros fossem açucar seria certamente diabética, reencontrei aqui e ali, livrinhos perdidos, amarelecidos, mofentos da mesma autora.
Princípios do ano. Certo?
Este mês, imaginem o meu espanto ao descobrir que os livrinhos de saldo bafientos, antes escondidos num qualquer caixote, estavam agora (assim amarelinhos e com o seu arzinho de mofo amarelo esverdeado) nas montras mas...
Pormenor! Pormenor!
Envoltos numa barra de papel, novinha e brilhante, a dizer Prémio Nobel da Literatura 2007 e com um custo mais de cinco vezes superior!
Meus senhores, tenham tento!
(Art from KS)

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