Pertences-me, escrevo. Não deixo que a sua candura sem mácula tome conta de mim. A página em branco revolta-se contra a submissão que lhe impõem e o primeiro rasgo é contido pela sua resistência. Aplico-me um pouco mais e as palavras fluem. Escrever, escrever-me, escrever os outros faz parte dessa antiga demanda pelo significado das palavras que não é, talvez, senão a busca de nós próprios. As palavras são criaturas vivas que encerram mistérios e perigos. O seu insensato uso já não nos perdeu a todos mais do que uma vez?
Não há escritas fáceis e esta minha brincadeira de aprendiz de feiticeiro, não é mais do isso, a brincadeira de uma criança com a sua varinha.
Poucos são aqueles que possuem a graça da eloquência e do encantamento. Aos outros, mesmo quando grandes, estão reservadas a dúvida, a incerteza, a descrença e noites de eternos horrores e... talvez, só talvez,...algum brilho.
Sonhem pois, com todos os livros que hão-de escrever. Criem-nos, amem-nos, odeiem-nos, vivam-nos. Dar-vos-ei todo o meu alento e força. Quiçá poderão pesar as ignomínias ditas ...”Até eu, escrevia isto!”
March 09, 2009
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2 comments:
A página em branco não sei se revolta, mas sei que transporta dor e alegria em quantidades idênticas ou não mesmo que com intensidades alternadas.
As palavras arrancam-nos pedaços e se são insensatas apenas reflectem a insensatez que transportamos e que faz de nós seres não perfeitos mas humanos
boa semana
Uma boa semana, cs.
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