April 22, 2009


[Momentinho Reles]
Trabalhar e estudar foi, talvez, uma das mais difíceis aventuras da minha vida. Terminei-a com sucesso, mais não seja pela obstinação que me caracteriza. [Embora esteja em crer que, alguns chamá-la-iam de teimosia e outros de tenacidade. Dependerá talvez, do dia da semana ou do humor do momento.] Quem me conhece de perto sabe que o que faço profissionalmente tem um peso significativo na minha vida. [Com que eu pactuo em absoluto. Afinal, gosto do que faço!] Essa acumulação de esforço traduziu-se numa sobrecarga importante, que senti na pele, mas igualmente numa experiência educativa. A "auto-formação" nem sempre é bem recebida pelos quadros das empresas. Os professores, por vezes, entendem estes alunos como um esbanjamento supérfluo dos seus esforço e atenção. O gestor mal preparado, ou deficientemente formado, enfrenta o medo de que um empregado, com um maior nível de educação, exija que ele próprio cresça profissionalmente [O que exige esforço, tempo e dedicação. Um aborrecimento, afinal.] e obriga-o a enfrentar outro tipo de aspirações, por parte desse empregado. O professor mal preparado, ocasionalmente um investigador de excelência, é incapaz de transmitir o seu saber. O seu desfasamento de uma realidade empresarial, dinâmica e que pulsa, escapa-se-lhe instalado que está no seu útero académico. [Reconheço, no entanto, que encontrei criaturas de uma agudeza fabulosa e com as quais tive as mais acutilantes dissertações. Em suma, diverti-me bastante!] A educação é, no meu entender, uma pedra basilar de um país. Certo, não temos todos que ser doutores ou engenheiros [Esta é uma velha falácia para tontos e loucos. Só acredita quem quer.], mas um técnico especializado capaz de compreender melhor a sua acção produtiva tem uma maior capacidade de gerar valor para si e para os outros bem como aumentar o conhecimento da tribo. [Também de questionar mais, de colocar mais em causa, o que é uma chatice, reconheço! ;)] Agora, que se defenda o aumento da escolariedade obrigatória e, em simultâneo, que todos os alunos devam transitar de ano...Não tenho vontade de rir, não! Tenho é de chorar...e muita!

4 comments:

sem-se-ver said...

1. post acutilante.

2. da minha experiência de professora no ensino nocturno, posso, pelo contrário, testemunhar do imenso respeito que nos merecem os trabalhadores-estudantes.

3. sei contudo que é de outro tipo de formação que fala (que não a básica ou do secundário).

4. e tem razão.

5. eu choro todos os dias.

cs said...

E tem razão. Vide meu post http://cincosentidosoumais.blogspot.com/2009/04/plateias-e-publicos.html, Plateias e públicos. Era a plateia de Licenciados na área de Saúde e a Comunicação era sobre Neurociências e técnicas de mapeamento do crânio.

Começa a aparecer um enorme problema de comunicação e de linguagens de muito difícil resolução. Já nem com os mínimos chegam ao mercado de trabalho, sendo os mínimos a interpretação de um discurso de uma a duas frases.

Bom post, e diz-me muito

:))

Anonyma said...

sem-se-ver,
sim, o post é relativo a uma realidade algo diferente mas semelhante nos sintomas e nas causas. Mais do que uma transmissão radiofónica de conhecimento, a antiga arte de ensinar permitia que as crias sedimentassem fundações e delas fossem capazes de partir para as suas próprias reflexões. Este parece-me ser o principal papel de um professor. Infelizmente, estes profissionais têm sido também, ao longo de muitos anos, aqueles a quem não foram dadas outras opções...e somando a este bolo, responsáveis de educação demissionários e políticas de educação a prazo e propagandistas ...o resultado é o que se vê um pouco por toda a parte...

Anonyma said...

cs,
some-se ainda o impacto das novas tecnologias de comunicação na linguagem, livros e revistas particularmente onerosos, muitas vezes, de uma pobreza mental indescritível e de uma certa imagem de intelectualidade difundida como uma práctica não alinhada...um destes dias, voltaremos a pintar veados, ursos e lanças em paredes de pedra...