Nas paredes pequenos demónios vermelho-amarelados dançam a música que a brisa da noite lhes traz. As velas, assim acesas, emanam um cheiro forte que se propaga pela casa. Não gosto dessa escuridão absoluta que afasta do céu a lua e aproxima das nossas crias antigas criaturas das trevas, mas este cintilar evoca a memória da lua cheia em mar de vento norte e aquece-me o coração. Hoje não chove, no Zen passa When It Rains. Memórias de uma praia de ondas soltas e bravas onde as gotas empapam os incautos, em dias de tempestade, e alguns se arrastam quebrados na areia da praia. Sangue e sal que se misturam e não se reconhecem, sentidos que latejam e mil dores que nos atormentam. Na vida como no mar, deixei que as ondas me escolhessem, deixei-me embalar, esqueci-me de mim e embati na areia. Hoje, no mar, aguardo pelo tubo perfeito, aquele que me acompanhe apenas e me devolva depois incólume. Na vida não há tubos perfeitos, mas ali naquela praia aprendi uma lição maior. Que quem ama, exige.Wednesday, July 01, 2009
Nas paredes pequenos demónios vermelho-amarelados dançam a música que a brisa da noite lhes traz. As velas, assim acesas, emanam um cheiro forte que se propaga pela casa. Não gosto dessa escuridão absoluta que afasta do céu a lua e aproxima das nossas crias antigas criaturas das trevas, mas este cintilar evoca a memória da lua cheia em mar de vento norte e aquece-me o coração. Hoje não chove, no Zen passa When It Rains. Memórias de uma praia de ondas soltas e bravas onde as gotas empapam os incautos, em dias de tempestade, e alguns se arrastam quebrados na areia da praia. Sangue e sal que se misturam e não se reconhecem, sentidos que latejam e mil dores que nos atormentam. Na vida como no mar, deixei que as ondas me escolhessem, deixei-me embalar, esqueci-me de mim e embati na areia. Hoje, no mar, aguardo pelo tubo perfeito, aquele que me acompanhe apenas e me devolva depois incólume. Na vida não há tubos perfeitos, mas ali naquela praia aprendi uma lição maior. Que quem ama, exige.

9 Comments:
Flutuar sobre vagas alterosas.
Lembranças que tremem na inocência das velas, não há como dizes tubos perfeitos, temos é que continuamente encontrar uma forma de nos equilibrar e apanhar sem hesitar a boleia do novo tubo que se está a formar.
De que falamos quando falamos de amor?
Quem ama não exige . Quem ama fala, partilha, equilibra, dá sem nada em troca a não ser o próprio amor .
Anonyma, se foi essa a única lição que aprendeu, só deseja uma relação de poder . Quem exige, impõe.
Desculpe mas, não resisti.
Porque por mais triste que estejamos com a nossa nostalgia, com as nossas rupturas, com a nossa história, amar é uma benção . E ou sabemos que fomos abençoados ou então tratamos o amor como uma vulgar mercadoria .
Agora, mesmo em período de luto, só pode/deve ficar o quanto fomos abençoados pelo amor . Mesmo que ele não seja correspondido .
Sim, talvez tenha uma noção de amor romantico. Mas o amor é assim mesmo , digo eu .
E depois vamos exigir o que? Já pensou nisso. E se o outro lhe exige também ?
Só irá conseguir navegar nesse seu tubo se conseguir dar sem reservas, e acredite que as imperfeições serão menores a seu olhos.
Fique bem ... E faça o favor de ser feliz. Dê a si própria uma oportunidade.
BJ.
A.
Concordo. Quem ama exige. poderia explicar porquê mas este espaço é egíguo. que não te atormentes.
errat: exíguo
Sim, Rui.
Por vezes.
Mas faz parte, diria.
:)
Verdade, g.
Mas, às vezes, leva tempo a ganhar equilíbrio...não é nada fácil...
Sim A.,
Exigir é uma palavra...peculiar.
Mas exigir implica carecer, perceber, demandar...não só dos outros mas de nós também...
Concordo consigo num ponto, amar é uma benção.
Cuide de si.
Em demasia, via, e depois nem sempre as palavras cabem nelas próprias.
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