September 30, 2009

A cidade adormece e aquieta-se. Através da vidraça aberta, observo os animais da noite para os quais o dia não basta e a claridade é uma maldição. No prato, a agulha acorda-me do sonho e relembra-me que a perfeição de um momento não se esgota num minuto. Impõe-se recomeçar, uma e outra vez. A eternidade espera-nos, não a façamos pois esperar... Essa é a liberdade que invoco, uma criatura endeusada a que muitos aludem mas que poucos encaram. O poeta rebela-se e grita-me que é livre. Recusa a servidão dos burocratas e das massas mas cai na servidão da negação. Indigna-se perante o meu sorriso mas no espelho do seu parco quarto reconhece o castelo de cartas e o sentido dessa ausência de liberdade que lhe atribuo.

2 comments:

a said...

O momento pode ser perfeito, mas sim sem a liberdade o poeta desfaz-se na noite e cala-se porque por mais que queira fugir está preso à deusa.

Afinal nem tudo o que parece perfeito o é.

sem-se-ver said...

(e que bem que ela voltou :-)