
O bosque está despido. As árvores permanecem entrelaçadas, mas o silêncio instalou-se, agora, nos veios dos seus troncos, nos seus nódulos, nas suas fendas. A vida parou aqui um instante. No centro, um rasgo a céu aberto. No sítio antes ocupado pelo enorme carvalho, um vazio sem fim que em todos se entranha. Fico ali absorta no negrume que resvala da carne de Gaea para o coração das árvores e para o meu. Desperta-me o vento do norte, gelado e penetrante, mas o caminho que antes fiz não será mais aquele que sigo. Algo nessa viagem se quebrou irremediavelmente. O bosque recuperará, pois antigas são as suas raízes e fortes os seus afectos. Eu rumarei a norte. É tempo de regressar a casa.
(Art by Jacek Yerka, Autumn)
No comments:
Post a Comment