Ritmo "Se me dissessem que ali em baixo estava uma fortuna como
a dos Rothschilds ou a coroa imperial de Carlos V, à minha espera,
para serem minhas se eu para lá corresse, eu não apressava o
passo... Não! Não saía deste passinho lento, prudente, correcto, que
é o único que se deve ter na vida."
in Os Maias, Eça de Queirós
Quisera eu ter doze anos e regressar ao braços da ria que corria calma e ondulante, onde os peixes se me prendiam nas mãos e as aves se me repousavam no corpo.
Lembro-me do passo preguiçoso que me conduzia a casa onde me esperava quase sempre um banho de mangueira para retirar "o principal" pois o resto era retirado à força de uma escova que me escoriava o corpo.
Lembro-me dela a remendar-me os calções e as camisolas e a suspirar baixinho de alívio por eu chegar a casa inteira.
Ensinou-me que o dia é imenso se soubermos o que fazer com ele, se soubermos aproveitá-lo. Hoje parei e lembrei-me dela.
Amanhã? Amanhã não serei deste ritmo louco mas o ritmo será meu.
Ela? Acho que irá sorrir e velar para que eu me alimente como deve ser...
(Photograph by James L. Stanfield; Tashigang, Bhutan)
2 comments:
Tal com o dia, a vida também pode ser imensa se soubermos o que fazer com ela...
Duas palavras me ocorreram no decorrer da leitura: generosidade e gratidão. Se fores generosa com os teus dias eles acabarão, de alguma forma, por te retribuir a generosidade...
Gratidão, porque devemos sempre alguma coisa a alguém.
:)
Gratidão? Neste caso será sempre ternura que advém do amor .
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