September 09, 2006

Às vezes, há noites assim

"It is the crimson, not the gray,
That charms the twilight of all time;
It is the promise of the day
That makes the starry sky sublime;

It is the faith within the fear
That holds us to the life we curse; --
So let us in ourselves revere
The Self which is the Universe!

Let us, the Children of the Night,
Put off the cloak that hides the scar!
Let us be Children of the Light,
And tell the ages what we are! "

in The Children of the Night by Edwin Arlington Robinson

As luzes da cidade, pequenos pontos cintilantes, clareavam a noite escura de lua velada.
Para alguns, a noite apenas começara e percorriam avidamente as ruas em busca do esquecimento para a semana de trabalho que terminara.
Aqui e ali, nas sombras, corpos ofereciam-se a animais esfaimados que passavam mas sempre com a esperança de sobreviverem a cada eterno encontro.
Almeidas listrados carregavam detritos numa azáfama constante de quem quer recolher a casa cedo e deixar para trás a imundíce dos outros.
Vi a cidade, as luzes, os ruídos ficarem para trás.
Um cheiro intenso e familiar inundou-me o corpo e a brisa suave deu-me as boas vindas.
Fiquei imóvel, não me recordo de quanto tempo, a ouvir o seu rugido constante.
De manhã sossegou e eu com ele.
Regressei a casa e adormeci.
Às vezes, há noites assim.

(Photograph by Sam Abell; Port Campbell National Park, Victoria, Australia)



1 comment:

My Mind said...

A noite traz consigo os seus próprios tons, ritmos, silêncios, vazios...
Às vezes, as noites podem ser bastante reveladoras.
A parte do "regressei a casa e adormeci" parece-me bastante aconchegante...é que sabe-me tão bem estar sob os dois mantos: o da noite e o q tenho na minha caminha! :)