December 03, 2007

Coexistir com animais obriga a ter alguma tolerância face às possibilidades de disparate.
Descobrir que o meu casaquinho da moda serviu de colchão ao gato, que as minhas meias da ginástica têm entradas alternativas ou que o rolo do papel higiénico é capaz de atapetar toda a minha sala, são contigências a que me habituei.
É verdade, tem dias em que era capaz de os pendurar a todos pelas orelhitas no estendal. É verdade mesmo.
Quando resmungo e, um se põe a olhar para cima e o outro a olhar para baixo, como se nada fosse, arrelio-me.
Mas são escolha minha.
Os meus animais de estimação.
Agora, o que me deixa à beira de um colapso cardíaco mesmo, são estas gentes, defensoras dos bons usos e costumes, que se reproduzem como os coelhos e tratam os coelhinhos como eu não trato os meus bichos!
Nestes dias de correrias, os teatrinhos têm sido mais do que deploráveis!
Não é fácil educar uma criança.
Não há caminhos seguros.
Não há escolhas acertadas.
Reconheço mesmo que, em dias de visita de gente pequena, até os meus bichos vão para o cesto mais cedo.
Mas nunca hei-de deixar um porquê por responder.
Porque @ miúd@ que hoje ali está é o adulto que amanhã aqui estará.
E, não quero ver, amanhã, nos seus olhos, o que vi outrora nos meus.

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