September 21, 2008

Longe do murmúrio das cidades, nas terras esquecidas por Deus e pelo Homem, o velhos falam de mistérios que nos recordam outros tempos de sombras, dúvidas e medos. À luz da fogueira nocturna, entre as labaredas ateadas para aquecer o trabalho da eira, o milho rei, parece mais brilhante que nunca. Encontrá-lo, dizem os velhos, é sinal de boa sorte. Mas, o trabalho é árduo e ainda agora se iniciou. Noite dentro, as canas acamadas na eira, são desfolhadas revelando o trabalho de um ano. Espigas douradas, doces e de bom tamanho trazem a fortuna dos homens. Espigas que os espigueiros, em breve, acolherão.
Nacos de pão, carne do fumeiro, vinho da casa, espesso e sequioso, e a espiga doce e sumarenta alimentam o estômago de um trabalho que se faz festivo e que, só termina, quando a eira é toda ela pedra e não mais cana.
Regressar a casa, no torpor do vinho e dos cheiros do fumo e da cacimba nocturna, depois de tão árdua jorna, transporta-nos a esse passado recente de faunos e feiticeiras escondidos no véu da noite. E ali acreditamos nos ditos antigos de reis sarracenos, moiras encantadas e bestas do inferno.
Quando os primeiros dias de Outono regressam, ecos dessas noites ressoam em mim e, na hora da loba, a antiga magia dos homens ainda é vislumbrada.

4 comments:

manhã said...

o outono é triste mas ao mesmo tempo, tens razão, há qualquer coisa de antigo.

Anonyma said...

Huuummmm....
O Outono é a estação do ano que mais amo. A que mais me faz sorrir...
Adoro os ocres, os vermelhos, os verdes, os castanhos...o pôr de sol esboçado a sanguínea...
O Outono é a maturidade do homem.
A sua lucidez plena.
;)

a said...

Concordo plenamente, anonyma.

E Outubro é o meu mês , não começasse ele também com o mesmo som (sem alternativa).

Anonyma said...

Desconfio que a sonoridade será talvez uma agradável coincidência histórica...mas não deixa de ser curioso, sim...
Faz tempo que não te via por aqui.
;)