Gosto de abrir os meus presentes com cuidado. Entendo ser a atenção que se impõe a quem os dá e a consideração devida à velha arte de embrulhar presentes. Hoje, pouco cuidado há, é certo. Tempos de sacos de papel, caixas pré-feitas, plásticos agrafados. Não há tempo a perder nem tão somente atenção ou delicadeza.Parte dos meus dias, consumo agora nessa demanda de presentes para as épocas que se adivinham. Percorro quilómetros, palmilho quarteirões, descubro todos os sites sobre o assunto, encomendo-os de outras terras e a outras gentes. Faço-o por gosto e por gosto, apenas. Por fim, embrulho-os, um a um, em rituais de origami, ornamentados por laços coloridos e aguardo. Aguardo para ver alguns sorrisos rasgados e a excitação dos minutos contados.
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