April 14, 2009

Jamais recebi a graça de amar esta cidade. As suas vozes enaltecem-na, os seus aparos elogiam-na...eu resisto. Não me revejo na sua luz nem no seu corpo farto de donzela feita matrona. A mulher entristeceu, desistiu de ser bela, para si e para os outros, cedeu ao infortúnio, à má sorte, entregou-se às mãos dos seus algozes. E eu, que a não amo, choro mais sentidamente o seu destino que outros que apregoam amá-la bem mais perdidamente.

5 comments:

sem-se-ver said...

(e este subscrevo linha a linha, palavra a palavra. e nunca eu o consegui transmitir tão bem.)


(excepto no que se refere à luz. que é rara, em capitais europeias, reconheço. e bela.)


(o que não chega, infelizmente, para mim)


(porque é mesmo isto, anonyma: «E eu, que a não amo, choro mais sentidamente o seu destino que outros que apregoam amá-la bem mais perdidamente.»)


boa noite para si :)

a said...

Continuamos amargas?

fj said...

como julgo compreender. passei por diversos processos contraditórios envolvendo atracção e repulsa por essa cidade. visitá-la sempre me fascinou e viver nela criou-me anticorpos intratáveis.

julgo que a decadência - a urbanística e a social - não é diferente da de outras cidades. talvez seja maior. mas nem chorar por ela eu consigo, apenas esquecer.

("excepto no que se refere à luz"... e a umas quantas fotografias que me deu)

cs said...

em ti me sinto estrangeira, estranha e, no entanto sinto-te nas entranhas como se de ti tivesse sido parida.

Sou de ti tão próxima.

:)

Anonyma said...

sem-se-ver,
Um cartão de visita triste, maltratado, sem vida...é isso que vejo ser dado a quem nos visita...
Até breve.

a,
eu amarga?
Agri-doce. Uns dias doce, outros acre.
[Mas por estes dias devo ter esgotado os beijos no Coelhinho da Páscoa....
;)]

fj,
partilho o sentimento.
Talvez um dia ainda parta por fim...

cs,
A margem de um rio é a minha casa, esse hiato entre a terra e a água...e nunca uma cidade de pedra...mas reconheço o sentimento, sim.