
Poema
As coisas mais simples, ouço-as no intervalo
do vento, quando um simples bater de chuva nos
vidros rompe o silêncio da noite, e o seu ritmo
se sobrepõe ao das palavras. Por vezes, é uma
voz cansada que repete incansavelmente
o que a noite ensina a quem a vive; de outras
vezes, corre, apressada, atropelando sentidos
e frases como se quisesse chegar ao fim, mais
depressa do que a madrugada. São coisas simples
como a areia que se apanha, e escorre por
entre os dedos enquanto os olhos procuram
uma linha nítida no horizonte; ou são as
coisas que subitamente lembramos, quando
o sol emerge num breve rasgão de nuvem.
Estas são as coisas que passam, quando o vento
fica; e são elas que tentamos lembrar,
como se as tivéssemos ouvido, e o ruído da chuva nos
vidros não tivesse apagado a sua voz.
by Nuno Júdice
E é a elas que regresso quando o cansaço dos dias se acumula e me escorre pelo corpo...às coisas mais simples.
As coisas mais simples, ouço-as no intervalo
do vento, quando um simples bater de chuva nos
vidros rompe o silêncio da noite, e o seu ritmo
se sobrepõe ao das palavras. Por vezes, é uma
voz cansada que repete incansavelmente
o que a noite ensina a quem a vive; de outras
vezes, corre, apressada, atropelando sentidos
e frases como se quisesse chegar ao fim, mais
depressa do que a madrugada. São coisas simples
como a areia que se apanha, e escorre por
entre os dedos enquanto os olhos procuram
uma linha nítida no horizonte; ou são as
coisas que subitamente lembramos, quando
o sol emerge num breve rasgão de nuvem.
Estas são as coisas que passam, quando o vento
fica; e são elas que tentamos lembrar,
como se as tivéssemos ouvido, e o ruído da chuva nos
vidros não tivesse apagado a sua voz.
by Nuno Júdice
E é a elas que regresso quando o cansaço dos dias se acumula e me escorre pelo corpo...às coisas mais simples.
7 comments:
gostei.
da foto, do poema, e da sua atitude. quem me dera conseguir às vezes a mesma sapiência...
(conhece o blog do nuno júdice, suponho?...)
ssv,
supõe mal, não conheço o blog...
Mas conheço a obra sim...que aprecio bastante...
Um dia havemos de conversar sobre seu blog de poemas...fui espreitar.
;)
O poema é de Nuno Júdice.
A foto é minha, mesmo. Também gostei. Não é uma obra de arte mas resultou bem, parece-me...
Quanto à sapiência, receio desapontá-la, ainda aprendo a andar...e, não é fácil...
não desaponta coisa nenhuma! e já há sapiência suficiente em ser esse o seu caminho.
(ok, um dia, então :)
sim, claro, é um dos grandes.
o blog é este:
http://www.aaz-nj.blogspot.com/
ele não publica lá desde agosto de 2008 (confirmei agora a data), mas manteve-o bastante tempo. foi um gesto de uma generosidade incrível.
boa fotografia, anonyma. muito ao meu gosto.
com a margem sul e palmela na distância, certo?
fj,
sim, também do meu gosto, mas eu sou suspeita, certo?
Experiências com uma camera nova...mas ainda não tiro partido dela como gostaria...
:)
Obrigada pela partilha.
Olá, Narcisa.
;)
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