April 05, 2010


Os vestígios de folhas arrancadas são visíveis na lombada escurecida pelo tempo e pelas andanças constantes. A areia, o sol, a água salgada e a saliva do grandalhão fizeram o resto, tornando-o num registo de palavras soltas que um elástico negro insiste em manter contidas. As palavras têm o peso ou a importância que as deixamos ter. Se as lançarmos no vazio e as deixarmos tombar por si, por vezes, desfazem-se em mil grãos como a areia da praia. Outras vezes, revoltam-se, exaurindo-nos sem dó ou piedade contra as arribas batidas na preia-mar e cabe-nos a nós segurá-las com a firmeza devida.
Tenho escrito. Não aqui realmente, mas nesse caderno preto que perspira da soma dos meus dias e cujas páginas arranco, porque algumas viagens em nós não se desejam contemplativas. Observo as cores que se misturam e que uso sem desculpa ou pejo. O passado enterrou-se numa quarta-feira de cinzas. O presente é agora. ...e o futuro? Vive-se ainda hoje porque o amanhã é incerto.
Não sou tudo o que poderia ser, é certo, mas diabos me levem se não o tento ainda!

3 comments:

a said...

As palavras são como as flechas, não voltam ao arco. Mas o silêncio sobre as palavras ditas corroem tudo o que foi vivido e matam lentamente o que ainda resta. Por mais contemplativa que seja a viagem, sem palavras, é vazia.

Anonyma said...

Ou plena de outros sons que nem sempre nos damos ao trabalho de escutar, quem sabe.

cs said...

Apesar de o futuro ser uma adição do passado e do presente,mesmo quando questionamos a prova dos nove.

Acredito , também, nos sons do silêncio,e que tantas vezes é um som ensurdecedor.

As palavras que se transformam em grãos, são areias na nossa memória que não conseguimos voltar a transformar em palavras, como açucar que dissolvemos no café e não existe forma de o voltar a transformar em açucar.

As palavras trazem-nos Entropias que se apegam a nós que nem lapas mesmo que lá na nossa memória mais recondita!

Para sempre, em nós, arrumadinhas num qq canto1

(estou uma seca hoje, desculpe...rsrs)