Amanheço cedo. Sempre. O frio cortante da manhã que me obriga a aconchegar-me melhor. Os fios de luz deitados no meu cobertor de lã. A claridade que se intensifica. O dia que se adivinha.Gosto de espreitar o céu, ali deitada. Às vezes, vejo a estrela da manhã. Pequeno, grande planeta.
Entre esse raiar da aurora e o espreguiçar da manhã, o meu espírito cai num estado contemplativo de quem já viu o orvalho das folhas, conhece o cheiro das árvores madrugadeiras e o som murmurante da água nos canais. Talvez por isso ame o vento. Vento que me traz o toque das coisas.
Um minuto depois, o momento perde-se. Regresso a um mundo de passos rápidos. De despertares ruídosos. De crises matinais, de choros e birras. De pressas lentas. De gestos mecânicos e contidos. De sentidos perdidos. E nada mais é sonho...
3 comments:
Também eu gostaria de permanecer no sonho, de continuar a espreitar por uma janela do tamanho do quarto, mas dura é a realidade que me acorda.
Minutos meus, sim.
De sonho velado, acordado, sim.
Eternos, sim. Apenas, porque o não são...
Não viveria de outra forma.
Sem realidade. Por mais dura que seja, que tenha sido ou que venha a ser.
não
sonho
,é quase certo
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