Hoje acordei com vontade de ver o Douro. A luz de fim de tarde é mágica. E assim me fiz ao caminho.
Amanhã espera-me um almoço em Lagos. E, certamente, irei.
Porque Portugal é isso. Um pequeno país facilmente conquistado de lado a lado.
E, no entanto, ... não deixa de me espantar como num tão pequeno país as assimetrias são tão extremas. Conheço bem este país e as suas gentes. Os seus modos. As suas vidas. As suas dores. Lá para as terras do meio, os doutores ainda são os doutores...
Há que ter respeito rapaz. Tira o boné, rapaz! Não vês que é o Sr. Doutor!
Quer o emprego menina! Sabe muito bem o que tem que fazer. Pois não é verdade?!
Vá lá homem! Não vê que lhe estou a dar uma oportunidade de futuro! Esse malandro preciso é de trabalhar não de ir à escola! E sempre é mais um para ajudar lá em casa. Não acha homem?
O nível de exigência dos exames nacionais desceu.
Se tiverdes uma dúvida que seja, testai-vos. Caneta em riste e um muito suave mar de perguntas a percorrer. Falaremos depois da prova feita.
Não me deveria preocupar, pois não? Os putos andam felizes, os pais também. Este ano os miúdos entram todos para a Faculdade. Qual é o problema?
Os meninos das particulares? O cidadão comum daria talvez uma risadinha sardónica...
Mas, de facto, não me preocupam as respostas que dão e, tão somente, as perguntas que não sabem ou sequer imaginam fazer. O homem que não se questiona segue o rebanho, não porque o queira mas porque não se imagina de outra forma. E quando isso acontece ficamos “muitos” muito mais pobres.
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