Há dias em que sinto em mim a idade da terra. Imensa. Antiga. Cansada.E, no entanto, outros dias há em que apenas vive em mim a criança que fui. Os mesmos olhos. O mesmo rosto. As mesmas mãos.
Quase. Quase.
Aos dez não queria crescer...tomar banho também não. Consta.
Aos vinte já tinha lido todos os livros que devia...e os outros também.
(Ainda hoje...assim como quem não quer a coisa, mas querendo, lá vou trazendo um livrito ou outro da biblioteca familiar...Sim, sim, sou eu...)
Aos trinta descobri que esta coisa de amadurecer era bem mais complicada do que inicialmente previra.
Hoje?
Digo não, mais vezes. Digo não gosto, não quero. Não vou por aí.
Já não tenho todo o tempo do mundo.
Tenho menos ilusões. Continuo a ter sonhos.
Sem eles não teria feito metade do que fiz.
Sem eles não teria sido nem metade do que sou.
E, apesar do caminho feito, a criança que ali ontem vi descalça ainda reconheceria a mulher que hoje aqui está...
E, sim, isso para mim é muito...
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