January 24, 2007


Há Monstros Debaixo da Cama

Recordo-me dela com oito anos e um pijama verde inteiriço com pés e fecho de correr.
À medida que a noite descia no horizonte, a sua apreensão aumentava tomando-a por completo.
O pequeno urso tinha por hábito saltar-lhe para o colo e manter-se junto a ela toda a noite.
Era um guardião implacável afastando as sombras que a rodeavam.
De vez em quando, via-a subtrair a lanterna de seu pai, da caixa de ferramentas, e uma pequena auréola de luz era visível durante a noite percorrendo a brancura dos lençois.
Vezes sem conta foi repreendida por estar acordada brincando mas outro temor mais alto se impunha.
De manhã, a mãe intrigada, perguntava-se porque escorria de suor a sua roupa, a sua cama e o seu pequeno urso.
Cresceu, saiu de casa.
Hoje, vejo-a adormecer sob a luz de um pequeno farol que lhe indica o caminho da segurança.
Vezes sem conta, espreito debaixo da cama, grito aos monstros para que partam, mostro-lhe o espaço vazio e digo-lhe que pode dormir descansada.
Sorri e baixa os olhos.
Talvez seja tarde demais...
( Calvin and Hobbes in Something Under the Bed is Drooling by Bill Watterson )

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